Atravessar corredores

desaforos

Foto | André Kertész Foto | André Kertész

Para Nelson Freire e João Moreira Salles

O sujeito tem que passar por um sem-número de corredores, lugares estreitos, feiosos, com encanamento exposto e a tinta descascando. Depois é preciso descer umas escadas mal iluminadas, feitas com tanto descaso, o tempo todo o pensamento se projetando para fora dali, para outros lugares, um dia de praia na infância com o sol a lhe arder nas costas e a provocar sensação agradável, um beijo longo e molhado na namorada que o excitou tanto, um grande imbróglio de lembranças, um trem de segunda classe, uma xícara branca em que o café esfriou porque não foi bebido. Nova escada, agora para subir. As entranhas muito feias desses bastidores teatrais e agora ele está ali, à boca de cena, à espera do anúncio de seu nome, para então entrar, fazer uma reverência ao distinto público, esquecer-se da memória pessoal, esquecer-se…

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